POLÍCIA

Polícia Civil conclui que bebê que morreu em Xanxerê sofria tortura




Foto: Tudo Sobre Xanxerê

Em menos de uma semana a Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI), de Xanxerê, concluiu o inquérito policial que investigava a morte de uma menina de nove meses, no município. O caso ocorreu na última sexta-feira (14). Após ser acionado, o Corpo de Bombeiros encaminhou a bebê às pressas ao hospital, mas ela não resistiu e morreu. Durante a ocorrência, os socorristas perceberam que a criança tinha sinais de maus-tratos e a investigação da Polícia Civil comprovou que a menina foi vítima de tortura.

Conforme o delegado responsável pela DPCAMI, Danilo Fernandes, o laudo cadavérico apontou que a causa da morte da bebê foi politraumatismo e que não haviam sinais de violência sexual. Os suspeitos pelo crime, apontados pela polícia, são a mãe da criança, uma adolescente de 17 anos, e um jovem de 23 anos, namorado dela e padrasto da bebê e de seu irmão de três anos.

Ainda no dia da morte da menina, a mãe foi apreendida e encaminhada para internação no Centro de Atendimento Socioeducativo (Case), de Florianópolis. Antes de ser conduzida para a Capital, ela prestou depoimento.

- A mãe da criança se contradisse no depoimento. Também alegou que sofria violência doméstica, que ficava em cárcere privado, que o padrasto das crianças e namorado dela não deixava ela sair de casa e procurar ajuda. Porém não foram encontradas provas disso, que seria a justificativa dela para a criança estar tão machucada e não procurar ajuda. Então ela vai responder por ato infracional – afirma o delegado.

No dia seguinte do fato, sábado (15), o namorado da adolescente e padrasto das crianças se apresentou na delegacia com advogado, prestou depoimento, no qual negou os fatos, e foi preso preventivamente. Com a conclusão do inquérito, o jovem foi indiciado pelo crime de tortura qualificada pelo resultado morte, enquadrando-se em tortura castigo (quando há a aplicação de intenso sofrimento físico e mental), e está recluso no Presídio Regional de Xanxerê.

Ainda de acordo com o delegado, “não é possível precisar por quanto tempo a criança sofreu tortura, mas que foram condutas continuadas, não apenas uma única vez”. O inquérito policial também investigava se o menino de três anos sofria maus-tratos, e ficou comprovado que era vítima de tortura, assim como a irmã. Exames para identificar possível abuso sexual no menino e na mãe também foram realizados e o resultado foi negativo. O caso segue sob segredo de justiça.
 




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POLÍCIA  |  26/03/2020 - 08h