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24 mulheres foram assassinadas em Santa Catarina neste ano

O último caso aconteceu nesta quarta-feira, em São José. Aline Rodrigues Camargo Pereira, 37 anos, foi morta com golpes de faca pelo ex-companheiro

09/05/2019 às 06h49
Atualizada em 09/05/2019 - 06h57

Dados da Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina (SSP-SC) apontam um aumento no número de feminicídios neste ano no Estado. Conforme o boletim semanal da pasta, divulgado na segunda-feira (6), 22 mulheres foram assassinadas em 2019 — entre 1º de janeiro e a data de publicação do documento. Em 2018, no mesmo período, 11 mulheres tinham sido mortas.

Os números ainda não levam em conta o assassinato de Aline Rodrigues Camargo Pereira, 37 anos, ocorrido na tarde desta quarta-feira (9) na Avenida Beira-Mar, em São José. Ainda nesta quarta, a polícia localizou o corpo de uma mulher que estava desaparecida no Ribeirão da Ilha, em Florianópolis, e confirmou que se trata de mais um caso de feminicídio, elevando a pelo menos 24 registros de mulheres assassinadas neste início de ano em SC.

Para a delegada Patrícia Zimmermann, da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso, é preciso intensificar o trabalho de prevenção desse tipo de crime. Ela acredita que as mulheres ainda precisam de mais ações educativas, para que consigam perceber situações de risco e quando é o momento buscar ajuda.

— A gente está estudando cada um desses casos para saber o que cada uma pode fazer — diz.

Ela acredita que a maioria dos casos está relacionado à cultura machista, em que muitos homens não aceitam o fim do relacionamento e acabam agredindo e até matando as ex-companheiras.

Esses crimes não ficam impunes. Nesses casos, o índice de resolução é de 100%. Ou o agressor acaba se matando ou termina preso — afirma.

Para a delegada, o aumento de casos de feminicídio em Santa Catarina não é isolado. Outros Estados também estão vivenciando situações semelhantes, mas ainda não é possível determinar o que está influenciando nesses números.

Zimmermann diz que é importante o registro das ameaças sofridas e a solicitação de medidas protetivas, ao menos para evitar que os agressores se aproximem das vítimas.

Educação é importante, diz presidente de comissão da OAB-SC

Para a advogada Rejane Silva Sanchez, presidente da Comissão da Mulher Advogada, da Ordem dos Advogados do Brasil, em Santa Catarina (OAB-SC), a educação sobre a gravidade dos casos de feminicídio é importante para tentar reduzir os índices desse crime no Brasil.

— As escolas precisam discutir esse tema. A questão de gênero precisa ser levada à escola — opina.

Rejane diz que o aumento dos casos de feminicídio pode ter relação não só com causas que fogem aos motivos comuns, como a misoginia e machismo, mas pelo fato de que a sociedade parece estar se encaminhando para ser mais violenta. Além disso, a cultura da impunidade faz com que muitos agressores se sintam à vontade para cometer crimes.

— É estarrecedor imaginar que, à luz do dia, em plena (Avenida) Beira-Mar, um homem assassina a companheira de modo tão grotesco. A impressão que a gente tem é que a pessoa estava completamente certa de que ficaria impune — pontua, lembrando a morte de Aline nesta quarta-feira (8).

A advogada ainda ressalta que, apesar dos avanços, é preciso que o Estado também invista mais na preparação dos agentes públicos que vão acolher as vítimas de violência. Segundo ela, há relatos de mulheres que acabam desestimuladas a registrar boletins de ocorrência seguidos contra os companheiros, às vezes até por policiais, por exemplo.

— Tem que registrar, porque a autoridade policial precisa ter o registro do que está acontecendo — lembra.

Conforme a SSP-SC, das 22 mortes de mulheres contabilizadas no boletim, apenas uma não tinha como principal suspeito um companheiro ou ex-companheiro da vítima. Ainda assim, era um cunhado, ou seja, alguém próximo da pessoa que morreu.

Ao contrário dos casos de feminicídios, que apresentam aumento neste começo de ano, os demais índices de mortes violentas contabilizados pela SSP tiveram redução. Neste ano foram registrados 251 homicídios. No mesmo período de 2018, aconteceram 325 casos.

PM diz que segurança na Avenida Beira-Mar também é feita pela Guarda Municipal

O comando 7º Batalhão da Polícia Militar em São José disse nesta quarta-feira (8) que o patrulhamento na região da Avenida Beira-Mar é bastante intenso, mas não há histórico de crimes violentos na área recentemente.

A área da Beira-Mar também é vigiada por câmeras, por meio do projeto Bem-Te-Vi. Além disso, por ser um local em que há vários equipamentos públicos da prefeitura, a presença de guardas municipais é constante.

 

Fonte: NSC Total



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